Casa da sogra ou da filha?

Mais uma situação desagradabilíssima: aposentei-me e , com o salário reduzido, resolvi morar com minha filha, que, na época, havia se separado do marido. Como o boa-vida não colabora com nada e o salário dela é irrisório, acabei praticamente sustentando a casa. E a situação é difícil para ambas. Por um lado, ela é a dona da casa, os móveis e tudo que há dentro de casa pertencem a ela. Por outro lado, eu pago o condomínio e todas as despesas do imóvel, como luz, telefone, tv a cabo, internet, celular, gás, e ainda compro a comida também.
Há dias que estou a ponto de explodir com o dito cujo, pois, foi embora de casa, mas continua vindo nos finais de semana, para sei lá o quê. Aliás, é melhor eu nem saber. Hoje tive uma discussão horrosrosa com minha filha e disse que não aguento mais vê-la sendo enganada por ele e outras coisas mais. Falei muito mesmo. Falei tanto que ela gritou para eu calasse a boca. A discussão esquentou e ela, num rompante, pegou a bolsa e minha netinha no colo e saiu porta a fora.
Corri atrás dela e tentei tomar minha neta de seu colo e disse que se quisesse ir para a rua que fosse sozinha, mas a menina ficaria em casa, pois estava com febre e ainda não havia almoçado. Foi horrível. Eu puxava a menina para um lado e ela para o outro. A menina chorava sem entender nada. Isto no corredor do prédio. Acabei pegando a menina, e voltamos para dentro de casa.Ela disse que a casa era dela e que eu fosse embora pois não queria mais nada meu.
Liguei para meu sobrinho que mora em uma casinha que tenho no subúrbio e disse para ele que eu queria a casa pois não podia mais ficar com minha filha. Falei um monte de coisas que não interessavam a ele, pelo visto, pois nem se abalou. Disse-me que não podia ficar à disposição da gente, que toda hora mudava de ideia e que ele ficaria na casa até dezembro, pois este era o prazo que minha filha dera a ele. Isto havia sido há alguns meses, quando ela ainda pretendia morar com o marido. Agora a situação é outra. Então eu disse a ele que esquecesse o que eu havia dito e que ficasse na casa para sempre se quisesse e desliguei.
O resto do dia foi terrível. Procurei nos classificados , um quarto ou vaga para alugar. Mas, depois pensei: eu pago tudo dentro de casa. Sozinha e com o salário que ganha, não poderá manter o apartamento , pois o namorido dela não comparece com dinheiro algum. Então eu disse a ela: não tenho dinheiro para alugar nada, seu primo não vai sair da casa, tudo que eu tenho está aqui, então, você vai ter de me aturar.
“Então, encha a boca d’água”, ela me disse. Esta é uma expressão que aprendemos há muitos anos com um conhecido que aconselhara uma mulher a não responder quando o marido brigava com ela. Depois de vários dias sem ela reagir quando brigavam (pois estava com a boca cheia de água), o marido desistiu e passaram a viver bem.
Pois então, daqui para a frente vou viver com a boca cheia de água. E já estou procurando emprego para ficar ocupada o dia todo e não sobrar tempo para brigar. E quando o boa-vida aparecer por aqui, eu saio para me distrair, vou ao cinema, ao teatro, saio com as amigas, qualquer coisa para não ter de ficar olhando para a cara dele, espichado na sala, vendo tevê, comendo e dormindo.
Ah, eu esqueci de dizer: o apartamento é meu, mas pretendo passar para o nome dela. Por enquanto, pode-se dizer que aqui é a casa da sogra, mas quem manda é a filha, e quem aproveita é o genro. Assim que tiver um novo emprego, vou alugar um apartamento para mim. Vai ser melhor para todos nós e , com certeza, “o que os olhos não veem, o coração não sente”.
imagem: daqui
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