Arquivo paraAgosto, 2007

Raiva nao leva a nada

Há tempo que nada posto aqui. Manter-me calma e imparcial diante de situações que levariam à raiva tem sido um exercício constante. Neste ínterim, desde o post anterior, apenas por duas vezes permiti que o furor tomasse conta de mim.

A primeira vez foi em sala de aula, quando vi um aluno que não havia feito o exercício pegando um caderno de outro aluno. Perguntei se o caderno era dele, ao que me respondeu rispidamente: “e não é meu, hã?” Retruquei: “Menos…” referindo-me a seu tom ao falar comigo. Ele então se exaltou: “Menos o quê? Tá maluca falando aí…” “Tô maluca!!! Gritei , “pode ir embora!”

Ele se recusou e eu fui à diretoria exigir que ele saísse de minha sala e que fosse suspenso de minhas aulas. Ele desceu as escadas e ao cruzar por mim, disse algo que nem lembro mais o que foi. Eu interrompi: “Não fale comigo!” E ele respondeu , encarando-me: “O quê? Fica falando besteira…” Subi, bufando de raiva e nem quis mais ouvi-lo.

Ele foi embora e, no dia seguinte, não compareceu à escola. No outro dia, antes de eu entrar em sala, ele se retirou sem me olhar. A coordenadora conversou com ele e disse que só assistiria aula se pedisse desculpas. Dias depois, ele me esperou no corredor e desculpou-se.

-Você está me pedindo desculpas porque a coordenadora pediu ou está sentindo isso?

- Não, é que eu gritei com a senhora e queria pedir desculpas.

-Gritou não, me chamou de maluca!

-Será que eu posso assistir sua aula?

-Pode.

Impressionante como toda raiva acabou, esvaiu-se instantaneamente. E fiquei pensando o quanto ela me fez mal.

A segunda situação foi quando entrei em um posto de gasolina para calibrar os pneus. Como eu já sei que o calibrador desse posto tem um problema no visor, esperei o frentista vir me atender. Fiz sinal várias vezes e ele não veio. Pensei que era porque eu nao abastecera no posto. Fiquei com tanta raiva que sai cantando os pneus.

Ate eu fiquei assustada com o ódio que estava sentindo. Achei melhor sair dali para nao me aborrecer e brigar com o frentista, que, afinal, nao era obrigado a me atender, se eu nao abasteci. Ou era?

Neste momento em que escrevo, o teclado desconfigurou-se e nao acentua nada. Estou tranquila, afinal, ficar com raiva nao resolve o problema e so me faria mal.

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